Monstros fora do armário.

Lembro que na minha adolescência fui meio que traumatizado por um evento diário que ocorria na rua da escola – por sinal também era a rua em que eu morava e para minha total infelicidade, essa mesma escola ficava exatamente em frente a minha casa – todos os dias, incluindo os finais de semana, alguns veículos ou trios elétricos fumegantes (como preferir), circulavam exalando fumaça por tudo quanto é canto, acho até que eram possuídos por espíritos maléficos que os obrigava a subir e descer a mesma rua incessantemente, uma espécie de passeata de carros monstros… Desculpe, eu disse carros? Quis dizer Fuscas!

Obs.: Tenho que falar que o nome Fusca combina perfeitamente com o veículo, não consigo imaginar outro melhor! Já pensou se ao invés de Fusca o nome fosse Porshe, Jaguar ou Aston Martin, não combina! Não orna! Aliás, vamos combinar que a Volks para dar nomes é igualzinha a mãe de jogador de futebol! Porque Fusca, Perua, Variant ou Brasília, são tão bonitos quanto Janderson, Liedson, Jóbson e Maikon… Se juntasse tudo em um só lugar não daria para saber se é jogo ou saldão de usados Volks!!

Me surpreendia imaginar que dentro daquelas geringonças horrendas havia muito mais do que fumaça branca, espessa e fétida… Tinha macho! Era macho suado! Macho suado fedendo! Macho suado fedendo espremido, quase um em cima do outro! Fumando algo que prefiro continuar não sabendo o que era, enfim, a visão do inferno… Outro detalhe, todos tinham seríssimos problemas auditivos, porque o som estava sempre no último volume, eu juro que conseguia ouvir o “trio-elétrico do capeta” à pelo menos cinco quarteirões de distância. Era um legítimo filme de terror.

Consigo até visualizar a cena. Uma criança, bonitinha, cabelinhos loiros, vestindo um pijama e pronta para tirar um cochilo da tarde, vira para seu pai e diz:

“Papai eu vi o monstro hoje de novo.”

“Filhinha, papai já falou que não tem monstro em baixo da cama nem criança dentro do armário.” – Responde ele afetuosamente

“Mas não foi lá não papai, olha ele ali de novo.” – Disse ela apontando para sua janela.

Ao se aproximar da janela, a visão que o pai tinha era de um Fusca medonho, soltando fumaça de seu interior e da traseira, formando uma névoa em torno do veículo, emitindo um barulho estridente quase insuportável , bem no meio da rua, aguardando, como se estivesse observando a criança e seu pai dentro da casa.

Ao ver aquilo um calafrio tomou o corpo do pai  que rapidamente cobre os olhos da menina, pegando-a no colo, “Santo Deus, não olhe filhinha, não olhe!” E em um gesto instintivo de preservação ele corre carregando a criança nos braços e se joga para baixo da cama, puxando-a  para junto do próprio corpo!…

Lugar perfeito, afinal como disse a menina, dentro do armário já havia uma criança! Provavelmente um adolescente traumatizado!

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