Canelada!

Muita gente tem nariz grande, orelha de abano, cabeça chata, seis dedos em um dos pés, pois é, eu tenho canelas finas… Não finas tipo falta de exercício. Finas tipo taco de sinuca, cabo de vassoura ou hashi… Às vezes penso que isso é uma espécie de evolução mutante estilo  X-Men, imagino até a situação:

“Olá, eu solto rajadas de energia dos meus olhos, pode me chamar de Ciclope.”

“Eu sou o chefe dos X-Men e o mais poderoso telepata do planeta, pode me chamar de  Professor X.”

“Opa, prazer e eu tenho canelas secas, podem me chamar de Seriema-man!”

Lembro que há aproximadamente quatro anos estava gordo feito um porco (casamento geralmente causa esse sintoma), me olhei no espelho sem camiseta, de shorts e levei um baita susto: “Meu Deus, virei uma maçã do amor gigante!” – tinha que tomar uma providência urgente, conversei com um conhecido que é dono de academia e fui treinar no dia seguinte, alguns meses se passaram e o resultado deu o ar da graça, emagreci bastante e já estava ficando até meio fortinho, é claro que minhas canelas ignoravam isso completamente, o fato é que comecei a gostar do resultado e me meti à besta de ir de bermuda para um treino. Lástima! Estava eu fazendo exercícios para o braço quando ouço uma dessas patricinhas de academia conversando, veja bem, eu não estava de “bituca” na conversa alheia, ela estava cerca de dois metros de distância conversando com um cara, em voz alta, querendo chamar a miiiinha atenção, só faltava subir em cima de um banco com um megafone!

“Acho ridículo esses caras que vem treinar, se exercitam só em cima e esquecem de fazer panturrilha (vulgo batata da perna), ficam parecendo uma pirâmide ao contrário!”– a carapuça caiu como uma bigorna em minha cabeça: “Oh minha filha, eu não treino só em cima não, meu problema é atrofia muscular congênita psicotrombocitopênica, você sabe o que é isso?! Sabe?! Não né!!” – então levantando rápido e jogando os cabelos para o lado ela respondeu: “Nããão, eu não tava falando de você, é que, é que”… – retruquei rápido: “Ahhh! que, que, que o cacete!! Toma vergonha na cara, pára de ficar reparando nos outros e vai exercitar o cérebro oh perua, quem sabe assim você fala menos besteira!! – Todos na academia olhando, tentando segurar o riso e é claro que alguém sempre deixa escapar uma “meia risada” que funciona como um “Agora todos juntos em coro”, até quem não estava assistindo desembestou a rir, algo meio parecido com o metrô na segunda-feira de manhã, não é a sua estação, mas com a multidão saindo feito estouro de boiada, você só se dá conta do que aconteceu quando vê a catraca de saída na sua frente.

Com os olhos esbugalhados, exprimindo uma feição que variava entre “vou arrancar suas bolas” e “ai meu Deus que vexame”, ela olhava para minha cara de maluco enfurecido e minhas canelas ridículas, em seguida se virou sem graça e com um clássico “Humph!!” saiu rapidamente da academia.

Tudo bem fui um pouco grosseiro? Sim, fui grosseiro. Possuo alguma atrofia? Não, nenhuma atrofia, o raio das canelas só são finas. Faço alguma idéia do que seja psicotrombocitopênico? Não tenho a mínima, ouvi isso uma vez no hospital que trabalhava… Mas e daí? O que importa é que a consciência dela corroa contínua e lentamente em um caldeirão de lava fumegante nas profundezas dos infernos do remorso e arrependimento!… Rancoroso eu? Que nada!

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